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Tocar a Terra (Cinco Prostrações)

A prática de Tocar a Terra, conhecida também como reverência profunda ou prostração, ajuda-nos a regressar à terra e às nossas raízes, reconhecendo que não estamos sós senão conectados com a linhagem de todos os nossos antecessores familiares e espirituais. Tocando a terra, renunciamos à ideia de que estamos separados e lembramo-nos de que fazemos parte da vida.

Quando tocamos a terra, fazemo-nos pequenos, com a humildade e simplicidade duma criança pequena. E também nos fazemos grandes, como árvores velhas que afundam as suas raízes profundamente no chão. Quando toques a terra, permanece perto dela e deixa-te ser ela: permite que a terra te absorva. Quanto mais em contacto estás, quanto mais te fundes com ela, mais te tornas em nada para poder sê-lo todo.

Para começares esta prática, junta as palmas das mãos ante o teu peito formando uma espécie de flor de loto. Eleva as tuas mãos unidas até à testa, em sinal de que mente e corpo estão unidos neste momento, e depois regressa com elas ao coração para baixar o teu corpo lentamente cara o chão, até que os teus tornozelos, antebraços e cabeça descansem comodamente no chão. Com a testa a tocar o chão, vira as mãos com as palmas para cima, abrindo-te às Três Joias (o Buda, o Dharma e a Sangha). Inala toda a fortaleza e estabilidade da terra e exala com a intenção de libertar-te de todo o sofrimento.

  1. Agradecido, prostro-me ante todas as gerações de antepassados da minha família..

Vejo a minha mãe e o meu pai, o seu sangue, carne e vitalidade circula pelas minhas veias e nutre todas e cada uma das minhas células. Mais além deles, vejo também os meus quatro avós. Por mim corre a vida, o sangue, a experiência, a sabedoria, a felicidade e a tristeza de todas as gerações que me precederam. Abro o meu coração, a minha carne e os meus ossos e deixo-me impregnar pela energia da intuição, o amor, e a experiência que me transmitiram os meus antepassados. Vejo que a origem das minhas raízes procede do meu pai, da minha mãe, dos meus quatro avós e de todos os meus antepassados. São só uma continuação desta linhagem ancestral. Sei que os pais sempre amam e apoiam os seus filhos e netos, ainda que, devido a multitude de dificuldades, nem sempre sejam capazes de expressá-lo de jeito adequado. Deixo que, como prolongação dos meus antepassados, a sua energia flua através de mim e eu solicito o seu apoio, proteção e fortaleza.

  1. Agradecido, prostro-me ante todas as gerações de antepassados da minha linhagem espiritual.

Vejo-me nos meus mestres, que me mostram o caminho do amor e a compreensão, o modo de respirar, sorrir, perdoar e viver com profundidade no momento presente. Através de Thay vejo todos os mestres de inumeráveis gerações, a todos os bodhisattvas, e o Buda Sakyamuni que iniciou a minha família espiritual. Abro o meu coração e o meu corpo para receber a energia da compreensão, o amor compassivo e a proteção bondosa do Buda, do Dharma e da Sangha ao longo de muitas gerações. Sou a continuação do Buda, do Dharma e da Sangha. Solicito aos meus antepassados espirituais que me transmitam a sua infinita fonte de energia, paz, estabilidade, compreensão e amor. Faço o voto de praticar com a intenção de transformar o meu sofrimento e o sofrimento do mundo e transmitir a energia da minha linhagem espiritual às futuras gerações de praticantes.

  1. Agradecido, prostro-me ante este lugar e ante todos os antepassados que o fizeram possível..

Sinto que formo parte deste lugar e sinto-me também nutrido e protegido por ele e por todos os seres vivos que estiveram aqui; o seu esforço fez possível que hoje possa viver aqui. Vejo os meus antepassados que converteram este lugar num refúgio para nós graças ao seu talento, perseverança e amor; àqueles que dedicaram a sua vida à construção de escolas, hospitais, estradas… e a proteger os direitos humanos, a desenvolver a ciência e a tecnologia, e a buscar a liberdade e a justiça social. Vejo-me conectado com os meus antepassados que durante tanto tempo viveram neste lugar em paz e harmonia com a natureza, a cuidar das suas montanhas, bosques, animais, vegetais e minerais. Sinto a energia deste lugar a impregnar o meu corpo e a minha alma, aceitando-me, sustendo-me. Comprometo-me a fazer o que estiver na minha mão para transformar a violência, o ódio e a ilusão que estão ainda de jeito profundo na consciência desta sociedade para que as futuras gerações possam ter maior seguridade, alegria e paz, e solicito para isso o apoio e a proteção deste lugar.

  1. Agradecido e compassivo, prostro-me e transmito a minha energia pelos seres a quem amo.

Quero transmitir agora toda a energia que recebi ao meu pai, à minha mãe, a todas as pessoas a quem amo, a todos os que sofreram e se preocuparam por mim e pelo meu bem-estar. Sei que na minha vida não fui o suficientemente consciente. Também sei que aqueles a quem amo tiveram multitude de dificuldades e sofreram por não ter a sorte de gozar dum meio que favorecesse o seu pleno desenvolvimento. Desejo que todos gozem de saúde e alegria. Transmito a minha energia a todos eles para que possam sorrir e sentir a alegria de estar vivos. Sei que quando eles são felizes, eu também o sou. Rezo por todos os meus antepassados, tanto da minha linhagem familiar como espiritual, e a todos eles dirijo a minha energia como jeito de protegê-los e apoiá-los. Sou um com todos os que amo.

  1. Agradecido, prostro-me de jeito compreensivo e compassivo com a intenção de reconciliar-me com todos os que me fizeram sofrer.

Abro o meu coração e envio a minha energia amorosa e compassiva a todos os que me fizeram sofrer, destruíram parte da minha vida e da vida dos que amo. Agora sei que essas pessoas experimentaram muito sofrimento e que os seus corações estavam carregados de sofrimento, ira e ódio. Sei que quiçá foram desafortunados, que nunca tiveram a sorte de que alguém os amasse ou se preocupasse por eles. A vida e a sociedade causaram-lhes muitas dificuldades, e não foram guiados pela senda duma vida consciente, a acumular ideias erradas sobre a vida ou sobre mim. Rogo aos meus antepassados familiares e espirituais que lhes enviem a sua energia de amor e proteção, para que os seus corações possam transformar-se até experimentarem o gozo de viver, de jeito que deixem de fazer-se sofrer a si mesmos e aos demais. Consciente do seu sofrimento, não quero seguir albergando para eles nenhum sentimento de ódio ou ira. Não quero fazê-los sofrer. Para aí oriento a minha energia amorosa e compreensiva, solicitando para isso, a ajuda de todos os meus antepassados.

  1. Agradecido e compassivo, prostro-me ante as minhas antigas raízes espirituais.

Vejo-me a mim mesmo como um menino, assistindo na Igreja à Santa Missa. Vejo o sacerdote e os fregueses congregados. Sei que a comunicação com eles era complexa e que não recebi demasiada alegria ou alimento daqueles serviços religiosos. À causa da falta de comunhão e compreensão entre a minha família espiritual e eu mesmo, deixei de frequentar a Igreja, perdendo o contacto com os meus antepassados espirituais. Agora sei que na minha tradição espiritual também há joias, e que a vida espiritual da minha tradição contribuiu para a estabilidade, a alegria e a paz dos meus antepassados ao longo de muitas gerações. Quero voltar a eles para descobrir de novo os grandes valores espirituais da minha tradição, para o meu próprio alimento e para o dos meus filhos, e os filhos dos meus filhos. Desejo voltar a conectar com os meus antigos antepassados espirituais para que a sua energia espiritual volte a fluir livremente no meu interior. Considero a Jesus, a Maria, a San Francisco de Assis, à Mãe Teresa de Calcutá e muitos outros como os meus antepassados espirituais e prostro-me ante eles neste momento, o único momento que conta realmente.


Para mais informação podes consultar os seguintes livros:

Enseñanzas sobre el amor, de Thich Nhat Hanh

Felicidad, de Thich Nhat Hanh

Cantos del corazón, de Thich Nhat Hanh